INOVAÇÃO ALÉM DO DISCURSO


PAVIMENTANDO O TERRENO PARA A CULTURA DA MUDANÇA.

O discurso pró-inovação virou figura carimbada em palestras, seminários e conferências. Não raro, o apelo é feito com ares de pregação. Jargões como “quebra de paradigmas”, “modelos mentais” e afins já se desgastaram, tamanha a frequência com que são usados nos palcos e salas de aula. Não é pra menos, as megamudanças em curso apontam um cenário hostil para aqueles que insistirem em utilizar ferramentas, estratégias e estruturas que foram concebidas em um contexto totalmente diverso deste que está se configurando no horizonte próximo.

Como vigias de Titanics que gritam tardiamente ao avistar à frente icebergs gigantescos, tais alertas de palestrantes e conferencistas, neste momento, já não são mais necessários. Ora, basta olhar em volta para vermos que o SOS já se espalhou no mundo corporativo. Há gente gritando por todo lado e outro tanto se atirando ao mar. Há, ainda, os que, como a famosa figura do pianista, em choque com a dura realidade do naufrágio, segue tocando suas músicas favoritas enquanto o navio afunda. Pois bem, quantos, na sua inércia, afundarão com seus navios quando as águas da mudança alcançarem o salão principal finamente decorado? Nessa hora, de nada adiantará a louça francesa, as cortinas de veludo e as taças de cristal, independente do orgulho que elas lhe tragam...

A verdade é que o coro pela necessidade de mudança carece de conteúdo. Enquanto muitos alardeiam que algo precisa ser feito, poucos realmente apontam a direção. Pudera, a tarefa não é nada fácil, na medida em que não há uma solução genérica. Não existe um trajeto pré-estabelecido a se tomar, como se fosse possível ao consultor indicar a estação e o trem a se embarcar... Líderes que têm se destacado nesse ambiente caótico estão avançando com facão em punho, abrindo seu próprio caminho por onde ninguém ainda trilhou!

Contudo, mesmo não havendo uma solução pronta, como um manual a ser seguido, existe um consenso quanto a um conjunto de ações, posturas e compromissos que, somados, pavimentam uma rota possível. E o primeiro passo para gerar inovações de alto impacto na organização é comprometer a alta cúpula em inovar.

EXEMPLO DA ALTA CÚPULA E COMPROMISSO QUANTO AO RISCO

Presidente e suas diretorias têm de estar compromissados nessa jornada. O exemplo top-down e o respaldo do corpo diretivo são fundamentais para os colaboradores sentirem-se à vontade e empoderados na busca contínua por inovações de alta intensidade, pois elas envolvem riscos que devem ser suportados. Do contrário, não passarão de iniciativas tímidas e superficiais. Contudo, é preciso orientar os líderes da organização para que compreendam a diferença do risco calculado - inerente ao novo, ao desconhecido e inédito -, da aventura inconsequente, cujos resultados são imprevisíveis.

COMUNGAR DE UM PROPÓSITO MOTIVADOR

Não se pode perder de vista que a organização é formada por pessoas, e que para elas se mobilizarem na direção das inovações necessárias é fundamental que comunguem desse propósito. Para tanto, precisam de respostas: Por que precisamos inovar? Aonde queremos chegar? Qual a direção e a intenção maior nessa jornada pela inovação? Qual o meu papel e o que eu ganho com isso? Inserir tais temas na pauta das reuniões setoriais e até mesmo realizar um grande evento aonde se avalize e esclareça tais questões é crucial.

DISCUTIR CENÁRIOS

A discussão profunda sobre prováveis cenários de curto, médio e longo prazos, em função dos sinais perceptíveis de megatendências do setor, deve ser frequente. À medida que se discute mais e mais sobre os rumos do segmento e seus stakeholders, apura-se de forma crescente a percepção do que até então estava invisível e o que é preciso fazer para evoluir na direção desejada.

QUESTIONAR O PRÓPRIO NEGÓCIO E SEUS PRESSUPOSTOS

Muitas vezes a reflexão sobre o status quo e aonde se deseja chegar, levando-se em conta a discussão anterior sobre cenários prováveis do segmento em que atua, pode levar a constatação da necessidade de se reinventar como organização. Aqui, coragem para questionar abertamente a concepção atual do negócio é a chave para mudanças libertadoras que levem a um renascimento. Do contrário, corre-se o risco de desperdiçar energia em mudanças periféricas, fazendo inovações incrementais em negócios obsoletos ou em mercados decadentes.

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Jean Marcel Gomes

Pai do Felipe e da Betina. Quando está em Florianópolis, onde reside, pode ser encontrado na Lagoa da Conceição, passeando na companhia dos seus dois cachorros, ou no Estádio do Avaí, torcendo para seu time do coração. É Graduado e Mestre em administração de empresas. Especialista em Marketing e em Gestão pela Qualidade Total. É palestrante, consultor experiente e professor de cursos de graduação e pós-graduação há mais de vinte anos. Atua em diversas áreas da administração, sobretudo nas afetas à liderança & desenvolvimento de equipes, negociação, ferramentas de gestão e metodologias de ganho de performance voltadas à gestão de serviços

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